Afinal, os anjos são lindos bebês ou ferozes guerreiros?

As diferentes representações dos anjos destacam atributos diversos desses ajudantes celestiais

Não é fácil representar os anjos na arte, já que eles são criaturas puramente espirituais: não possuem corpo físico, embora às vezes assumam aparência humana.

Os anjos, na Bíblia, são frequentemente descritos com um corpo visível, mas esse corpo é uma espécie de “fachada” para que os seres humanos possam vê-los fisicamente. Por natureza, no entanto, os anjos são invisíveis aos nossos olhos.

Em decorrência disto, os artistas escolheram representar os anjos de diversas maneiras ao longo da história, optando por alguma aparência que destacasse um determinado atributo espiritual dentre os vários que os anjos possuem.

No século IV, por exemplo, os anjos eram pintados ou esculpidos com asas, dando-se ênfase ao seu caráter de mensageiros de Deus. Para saber mais sobre esse atributo tão popular dos anjos, confira este outro artigo.


Thiago Melo / Creative Commons
Riqueza artística: esculturas de anjos penduradas no teto da Catedral de Brasília

No Renascimento, os artistas começaram a pintá-los como crianças aladas, por influência da arte clássica grega e romana. O sentido dessa escolha era destacar a inocência e pureza dos anjos, que foram criados por Deus com inteligência superior à humana e com livre arbítrio, podendo assim escolher entre permanecer junto a Ele ou rejeitá-lo para todo o sempre: os anjos que escolheram Deus permaneceram puros em todos os aspectos, ao contrário daqueles que O rejeitaram de modo definitivo. E é esta pureza dos anjos fiéis a Deus o que se tenta traduzir na arte mediante a aparência de crianças inocentes.


Os anjos também são representados como bravos guerreiros com espada e escudo, prontos para a batalha. Neste caso, o aspecto que se deseja ressaltar é justamente a sua fidelidade a Deus em contraste com a traição dos anjos caídos, ou demônios: estes, usando também a sua liberdade e a sua plena consciência dos próprios atos, optaram definitivamente por rejeitar a Deus. São Miguel Arcanjo é habitualmente representado como o guerreiro que desfere contra Satanás o golpe que o lança aos infernos depois da sua traição irreversível.


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Os anjos guerreiros são muito comuns na Sagrada Escritura. É o caso do episódio em que Josué está acampado fora de Jericó, levanta os olhos e vê um homem de pé à sua frente, com a espada desembainhada. Josué lhe pergunta: “És dos nossos ou és inimigo?”. O anjo responde: “Sou o chefe do exército do Senhor” (cf. Josué 5,13-14). Esta alternativa de representação visual enfatiza o poder dos anjos de derrotar os inimigos espirituais, os demônios que seguiram Satanás na sua rejeição eterna a Deus.

Qualquer que seja o modo de representar um anjo, o artista foca num aspecto particular da sua natureza ou missão. E, apesar de que os lindos anjinhos-bebês pareçam incompatíveis com os bravos anjos guerreiros, ambas as representações refletem uma só e mesma verdade sobre quem são os anjos!

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