Casos de sarampo quase triplicaram em 2019 em relação ao ano passado

OMS aponta que o total de pacientes notificados com sarampo nos primeiros seis meses do ano é o mais elevado desde 2006

Os surtos de sarampo continuam a se espalhar rapidamente pelo mundo. De acordo com os últimos relatórios preliminares fornecidos à Organização Mundial da Saúde, OMS, o número de casos notificados nos primeiros seis meses de 2019 é o mais elevado desde 2006.

A agência da ONU aponta que surtos estão sobrecarregando os sistemas de saúde e levando a doenças graves, incapacidades e mortes em muitas partes do mundo. A quantidade de casos é quase três vezes maior do que a registrada no mesmo período do ano passado. Essa situação ocorre após sucessivos aumentos anuais desde 2016, indicando um crescimento preocupante e contínuo da carga global do sarampo no mundo.

Neste ano, a República Democrática do Congo, Madagascar e Ucrânia foram os países que notificaram o maior número de casos. No entanto, o número caiu significativamente em Madagascar nos últimos meses como resultado de campanhas nacionais de vacinação de emergência contra o sarampo, destacando a eficácia da imunização para acabar com os surtos e proteger a saúde.

Grandes surtos estão ocorrendo em Angola, Camarões, Chade, Cazaquistão, Nigéria, Filipinas, Sudão do Sul, Sudão e Tailândia. Os maiores surtos estão em países que têm atualmente ou tiveram no passado baixa cobertura vacinal contra o sarampo, deixando muitas pessoas vulneráveis à doença. Ao mesmo tempo, surtos prolongados estão ocorrendo mesmo em países com altas taxas nacionais de imunização.

Isso resulta de desigualdades na cobertura de vacinas e de lacunas e disparidades entre comunidades, áreas geográficas e entre faixas etárias. A OMS alerta que a doença pode se espalhar rapidamente.

Estados Unidos

Os Estados Unidos têm notificado sua maior contagem de casos de sarampo em 25 anos. Na Região Europeia da OMS, foram registradas cerca de 90 mil ocorrências nos primeiros seis meses de 2019, superando a quantidade identificada em todo o ano de 2018, que foi de 84.462 casos, já se tornando a maior desta década.

De acordo com a agência da ONU, as razões para as pessoas não serem vacinadas variam significativamente entre comunidades e países, incluindo falta de acesso a serviços de saúde ou vacinação de qualidade, conflito e deslocamento, desinformação sobre vacinas ou pouca conscientização sobre a necessidade de vacinar. Em vários países, o sarampo está se espalhando entre crianças mais velhas, jovens e adultos que não se vacinaram no passado.

Campanhas

Com governos e parceiros como a Iniciativa contra o Sarampo e Rubéola, a Aliança de Vacinas Gavi e outros, a OMS está ajudando os países a interromper surtos, fortalecer os serviços de saúde e aumentar a cobertura essencial de imunização.

O sarampo é quase totalmente evitável com duas doses da vacina contra essa doença, que é segura e altamente eficaz. Altas taxas de cobertura vacinal, ou seja, 95% a nível nacional e dentro das comunidades, são necessárias para garantir que o sarampo não seja capaz de se espalhar.

Segundo dados de cobertura da OMS e do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, divulgados em julho de 2019, 86% das crianças receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo e 69% receberam a segunda. Isso significa que cerca de 20 milhões de crianças em 2018 não foram imunizadas contra o sarampo por meio dos programas de vacinação de rotina dos seus países.

Além disso, 23 países ainda precisam introduzir a segunda dose de vacina contra o sarampo em seus calendários nacionais de imunização. A OMS está pedindo que todas as pessoas garantam que suas vacinas contra o sarampo estão em dia, com as duas doses necessárias para proteger contra a doença, e que verifiquem o próprio status de imunização antes da viagem.

As últimas recomendações de viagem da Organização Mundial da Saúde destacam que todos os menores de seis meses devem ser protegidos contra o sarampo antes de viajar para uma área onde o vírus está circulando. Aquelas pessoas que não tiverem certeza do seu estado de vacinação devem buscar um serviço de saúde. A OMS recomenda que os viajantes sejam imunizados contra o sarampo pelo menos 15 dias antes da viagem.

Estimativas

A OMS aponta ainda que embora forneçam uma forte indicação de tendências gerais, os dados mensais de vigilância são provisórios e incompletos, uma vez que muitos países, particularmente aqueles que experimentam grandes surtos, ainda estão notificando dados e realizando testes laboratoriais. Devido a atrasos nos relatórios, pode haver discrepâncias entre o que é apresentado nesses relatórios e o que é divulgado diretamente pelos países.

Os números reais de casos, capturados em estimativas globais divulgadas anualmente, são consideravelmente mais altos do que aqueles reportados por sistemas de vigilância devido à incompletude dos relatórios. A OMS estima que, no mundo, menos de um em 10 casos sejam notificados e aponta que a abrangência dos relatórios varia substancialmente de acordo com o país.

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O ano mais recente com estimativas globais de casos e mortes por sarampo estão disponíveis na OMS é 2017. Naquele ano, havia 6,7 milhões de casos estimados de sarampo e 110.000 mortes estimadas relacionadas ao sarampo, com base em 173.330 casos notificados. Em 2018, foram notificados 353.236 casos de sarampo à OMS. As estimativas globais de casos e mortes para 2018 serão divulgadas pela Organização Mundial da Saúde em novembro de 2019.

Casos

No período de 1º de janeiro a 31 de julho de 2019, 182 países notificaram 364.808 casos de sarampo à OMS. Para o mesmo período do ano passado, 129.239 casos de sarampo foram registrados em 181 países. Para o atual período de 2019, a Região Africana da OMS registou um aumento de 900%, 10 vezes mais. Já a região Europeia teve um crescimento de 120%, mais que o dobro, a Região do Mediterrâneo Oriental, de 50%, a Região do Pacífico Ocidental, de 230% e a Região do Sudeste Asiático e a Região das Américas tiveram uma redução de 15% nos casos notificados. A transmissão do sarampo é tipicamente sazonal, com pico na primavera em climas temperados e, nos trópicos, após a estação chuvosa.

Américas

A OMS alerta que embora os dados preliminares globais da OMS tenham apontado redução de 15% nos casos notificados nas Américas, quando se compara janeiro a julho de 2019 com o mesmo período do ano passado, isso não significa que essa região esteja em situação confortável. Isso tendo em vista que a doença havia sido eliminada de todos os países das Américas em 2016.

A mais recente atualização epidemiológica da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, publicada no dia 7 de agosto, mostra que a doença foi identificada em 14 países das Américas, de 1 janeiro a 27 de julho de 2019. A maior proporção foi registrada nos Estados Unidos, com 1.172 casos, no Brasil com 1.045 e na Venezuela, com 417.

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