Exploratorium debate empreendedorismo, educação e transformação do capitalismo

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Por: revistaamazonia.com.br

Por Vanessa Brito

Na última terça-feira (13), o auditório do CSS recebeu o Exploratorium – Empreendedorismo social e inovador, evento itinerante realizado pelo CER-Centro Sebrae de Referência em Educação Empreendedora do Sistema Sebrae, uma iniciativa do Sebrae MG.

Cerca de 40 professores e docentes do Colégio Coração de Jesus, Sesi Escola, Escola Estadual Presidente Médici, Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), Faculdade Senai (Fatec), Faculdade Cuiabá (Fauc), Faculdades Integradas Desembargador Sávio Brandão (Fausb) e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) participaram do encontro, realizado no auditório do Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS).

“Este evento foi fruto da parceria entre o Programa de Educação Empreendedora do Sebrae MT (PEE) e o CER. Nós escolhemos o tema a ser abordado, convidamos o público-alvo e o CER trouxe os palestrantes”, explica Viviane Pozzolo, gestora do Projeto de Educação Empreendedora (PEE) do Sebrae MT.

Vanessa Torres, coordenadora do CER/Sebrae MG, explicou que o CER é um centro que subsidia o Sistema Sebrae com informações e conhecimento no tema educação empreendedora. Por sua vez o Programa Nacional de Educação Empreendedora (PNEE) do Sebrae é  uma ação da instituição voltada à capacitação de professores dos ensinos superior, médio e fundamental das redes públicas e privadas em todo o  país, com o objetivo implantar a disciplina Empreendedorismo nas escolas.

“O empreendedorismo é para a vida, transforma a atitude das pessoas. Tem de vir desde a educação fundamental”, disse Vanessa. A educação empreendedora não se trata de apenas formar empresários, como muitos pensam, mas de desenvolver atitudes empreendedoras nos estudantes, desde cedo, para enxergarem e aproveitarem as oportunidades de crescimento pessoal e profissional, esclareceu a coordenadora.

A missão do CER é a produção e disseminação da cultura empreendedora. Este centro atua virtualmente por meio do portal www.cer.sebrae.com.br , que contém marcos teóricos e referenciais sobre educação empreendedora, literatura mundial sobre o tema, tendências, melhores práticas, entre outros. Parcerias estratégicas nacionais e internacionais também são firmadas para realizar pesquisas e compartilhar a produção autoral de universidades brasileiras e do exterior. O evento Exploratorium é itinerante e já foi realizado em vários estados.

Como o CSS, o CER possui uma governança, comitê estratégico, comitê de especialistas (Espicer), a coordenadoria executiva e comitês temáticos (CTS), que são: Educação Empreendedora/ Empreendedorismo; Tecnologias em Educação; Inovações educacionais; Educação formal e não-formal; Políticas Públicas na Educação Empreendedora.

“Especialistas brasileiros e estrangeiros renomados e as universidade federais estão nos ajudando a construir os conteúdos do portal”, informou Vanessa. O CER distribui newsletter quinzenal para quem se cadastrar na plataforma. Há também um blog com dicas, notícias, sustentabilidade, estudos. O CSS será parceiro na construção de conteúdos, adiantou.

 A rede norte-americana de produtos orgânicos Whole Foods trabalha com valores do ‘novo capitalismo’, segundo o palestrante Thomas Eckschmidt.

Social e inovador

Thomas Eckschmidt, cofundador do Movimento Capitalismo Consciente no Brasil, falou sobre empreendedorismo e as transformações que estão reconfigurando o sistema capitalista no mundo. Ex-produtor rural, empreendedor, consultor e autor, engenheiro pela Escola Politécnica da USP com MBA Executivo pela Business School São Paulo, é formado em Agricultura Ecológica pelo Instituto Latino-americano de Ciências, e com extensão em Agronegócios em Harvard. Trabalhou em várias multinacionais e em mais de 20 países antes de empreender, lançar 5 livros e 3 patentes. Atualmente é Diretor Geral do Instituto do Capitalismo Consciente, CEO da startup ResolvJa.com.br e mediador da Câmara Latino-americana de Mediação e Arbitragem.

“Ninguém nasce empreendedor”, disse. Fazendo uma breve análise da trajetória da economia mundial nos períodos do ano 100 a 1800 e de 1800 a 2015, mostrou a rápida evolução no segundo período, quando  o capitalismo se consolidou. “Criamos a desigualdade e nos acostumamos a usar todos os recursos naturais até acabar”, disparou.

Segundo estudos do Instituto Gallup, o nível de confiança nas empresas está caindo em todo o mundo, informou Thomas. “ As empresas estão levando à falência moral, ao estimularem as pessoas a comprarem o que não precisam, à falência financeira e à falência emocional”, afirmou.  Este é um fenômeno mundial, que demonstra que o sistema capitalista precisa ser repensado, acrescentou.

As preocupações dos cidadãos e consumidores com o planeta, as desigualdades sociais e questões ambientais geraram um contingente de voluntários em diversos países, que, hoje, equivale a 140 milhões de pessoas, que “poderiam ser um país”. eles trabalham em causas e com propósito de mudar o mundo. Grandes empresários que somaram muito patrimônio, como Bill Gates, estão fazendo a sua parte. Gates patrocina e desenvolve projetos socioambientais para devolver os lucros extraordinários que obteve com a Microsoft, citou como exemplo de capitalista que reconhece a concentração gritante de renda nas mãos de poucos e, nos últimos anos, está retornando os ganhos à sociedade na forma de benefícios que geram acesso à educação, qualidade de vida, entre outros projetos voltados para populações de baixíssima renda.

Novos tipos de empreendimentos estão surgindo, devido à escassez dos recursos naturais e à falta de oportunidades, de empregos e de postos de trabalho na maioria dos países. Uma nova cultura, que está mudando a economia mundial, foi criada a partir da conscientização dos problemas que afligem o planeta e a humanidade. Palavras como compartilhamento, colaboração, causa, propósito entraram no vocabulário da sociedade e também nos negócios.

“Quanto mais estimularmos o novo capitalismo, mais o velho capitalismo mingua”, enfatizou o palestrante. A transformação do sistema capitalista está vindo principalmente das universidades. Há uma inquietação entre os professores, especialmente. Os negócios sociais estão nascendo em todas as áreas. É preciso mudar a atitude e o comportamento para surgir o novo capitalismo, acrescentou.

Para Thomas, todas as relações capitalistas são voluntárias. A troca não existe só para gerar resultados financeiros, mas, inclusive, para gerar valores (éticos). “Liderança não é mais o cara da ponta que comanda, mas é o cara do meio que inspira e aponta tendências. Estamos no meio de uma revolução. Daqui a 20 anos, vamos ver no que vai dar”, enfatizou ele, que é autor do livro “Capitalismo Consciente”.

Alimentação saudável

Em seguida, Isabela Ribeiro da Saladorama falou sobre este empreendimento de impacto social, voltado a promover a democratização da alimentação saudável nas classes sociais de baixa renda.  Tudo começou com a percepção de Hamilton Santos, seu idealizador e morador do Morro de Santa Marta do Rio de Janeiro.

Em 2014, quando ainda era estudante e estagiário de Engenharia de Produção e trabalhava em um espaço de coworking, observou a diferença da alimentação dos cariocas da zona sul e de onde morava. No Morro de Santa Marta, como acontece em diversas periferias do país, a alimentação fora de casa oferecia produtos pouco saudáveis como coxinhas, sanduíches, etc Por que as pessoas não comiam verduras, legumes, frutas na periferia? Este era um problema que queria resolver.

Junto a uma nutricionista construiu um novo modelo de negócio como startup, que capacita moradoras das comunidades como empreendedoras para produzirem  saladas, que são entregues aos consumidores no formato de assinaturas mensais. A Saladorama passou a gerar trabalho para centenas de pessoas, melhorou os hábitos alimentares dessa população e já foi implantado em Recife (PE), Sorocaba (SP), Florianópolis (SC) e São Luis (MA).

A ideia da startup foi acelerada pelo Instituto Yunus de Negócios Sociais econquistou vários prêmios. Hoje, envolve pequenos agricultores, cozinheiras, entregadores e os consumidores. As embalagens do delivery Saladorama são biodegradáveis e são feitas nas comunidades. O empreendimento apoia iniciativas culturais e esportivas locais, como corrida das escadarias em Recife e o Favela em Dança no Rio.

Com três anos de atividades, a Saladorama impacta 300 mil pessoas em quatro estados e adquiriu mais de 35 ton insumos orgânicos da agricultura familiar, informou Isabela. “Este empreendimento é um exemplo de ‘novo capitalismo’”, disse Thomas.

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