Homilia: Sagrada Família

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Irmãos e irmãos, ainda envoltos pela Luz que brilhou para nós, nos encontramos hoje para adorar o Menino Deus que nasceu, pois um filho nos foi dado. Aquele que o Pai gera eternamente, gerou-o no tempo, pela ação do Espírito Santo no seio de Maria Virgem, sem auxílio da carne, do sangue e da vontade do homem. Ele é pura gratuidade. Todavia, Deus o Pai, estando no Céu, não quis na terra deixar seu Filho sem ter um pai terreno. Elegeu o Justo José, para fazer-lhe as vezes, constituindo e consagrando a Família como meio adequado e providencial para amá-Lo, guardá-Lo, educá-Lo e introduzi-Lo na nossa história.
Contemplamos a benevolência de Deus para conosco, mais uma vez, por escolhido a família humana como ambiente adequado para o Seu Filho Divino que, fazendo-se um de nós, fez-se no seio de uma família. Deus Pai, poderia ter escolhido outra forma de vir a nós, mas quis e consagrou esta.
Não nos iludamos, Deus que tudo sabe, sabe aquilo que é melhor e adequado para o ser humano. Seria arrogância nossa, achar que podemos nós, inventarmos, o que quer que seja, de melhor para o crescimento e desenvolvimento humano de modo saudável. Todas as experiências tentadas sempre geraram e geram mal estar na história humana…
Vivemos tempos difíceis em que a família, constituída do casal, formada por um homem, mulher e filhos, tem sido atacada de modo violento e tem-nos sido feito propostas que são meramente arremedo daquilo que quis Deus, não só para nós, mas também para Si. É testemunho a Festa de hoje da Sagrada Família. Dentre os ataques que sofre a instituição da família, não estão aquelas formas que se constituem como contingências, limitações ou mesmo aquelas “famílias” que se constituem por eleição afetiva, e que não são contrárias ao plano de Deus para o ser humano.
Nós mesmos, hoje, pelo Natal, fomos unidos ao Menino Deus, nossa Cabeça e nos tornamos, nós e todo ser humano que feito filho de Deus pelo Batismo já não somos “mais estrangeiros nem migrantes, mas concidadãos dos santos.” Somos, “da família de Deus” (Ef 2, 19).
É o sentido do que o Velho Simeão nos indica ao proclamar o Menino Deus, “a salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo”. Tal proclamação se dá quando a Sagrada Família está, mais uma vez, cumprindo a Lei do Senhor, ao apresentar o resgate do Menino ao Templo, com a oferta dos simples: duas pombas e um par de rolinhas.
Nesta cena, dá-se também o maravilhoso intercâmbio entre o Céu, a Terra e o Israel fiel a Deus. Simeão e Ana, já idosos, são representantes dos que esperavam a Salvação. São idosos e, nos planos divinos, não são descartáveis, mas olhando ao futuro proclamam a fidelidade de Deus. Quanto aqui, da contemplação da cena, deveríamos aprender. Os idosos, nossos pais, avós os que estão solitários e abandonados não são um estorvo nem descartáveis, são a ocasião de amarmos a Deus neles, praticando a justiça e retribuindo-lhes tudo o que fizeram por nós, mesmo com suas humanas limitações… São Simeão e Ana intercedam por nós! E, caros irmãos idosos, não desanimem se sofrem a injustiça do abandono e da ingratidão, Deus está do vosso lado!
Retornemos ao casal e ao Menino… O que eles tem a nos ensinar na difícil missão de viver em família e na Família de Deus, a sua Igreja?
Antes de tudo, o silêncio e a obediência! Eles cumpriam sempre a vontade de Deus; a Virgem Mãe e José, sabiam calar e obedecer e, quando não entendiam, meditavam em seus corações; o valor do trabalho e do cansaço: foi o que sustentou Nosso Salvador quando esteve conosco. Trabalhemos, e não caiamos na armadilha dos que querem um Estado babá que deve dar tudo. Com as migalhas que distribuem, querem sempre em troca nossa liberdade, dignidade e sempre mais poder; o direito a educar os próprios filhos, uma vez que também isto pretendem tirar e ditar falsos valores corrompendo o que Deus nos pede… e ainda, e não menos importante, o direito à oração e à manifestação pública da nossa fé, pois o Natal não é uma idéia nem um fato sentimentalóide, mas um fato exterior, concreto. São João nos diz: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida {pois a vida foi manifestada, e nós a temos visto, e dela testificamos, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e a nós foi manifestada}; sim, o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que vós também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo” (1 João 1,1-3), enfim é o encontro com uma Pessoa.
A nossa comunhão, pois, é familiar, da família de Deus e a Sagrada Família se revela para nós, como uma primeira Igreja do Lar que se expressa publicamente na sua relação com Deus. Não é à toa que isto marcou o mundo com o seu paradoxo: "… o nascimento do desabrigado deve ser comemorado em todos os lares”[1].
Aquilo que ouvimos de São Paulo seja um plano de vida para as nossas famílias, pois “Ubi charitas et amor, Deus ibi est”, como nos diz São João Evangelista”.
Que as lições da Sagrada Família nos ajudem a melhor viver este encontro…
[1] (G. K. Chesterton, O Espírito de Natal http://www.sociedadechestertonbrasil.org/…/o-espirito-de-n…/).
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Autor: Prof. Pe. Mestre Samuel Pereira Viana Nascido em Duque de Caxias (RJ) e Ordenado Presbítero na Diocese de Santo Amaro. Mestre em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

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