Os padres podem tirar férias?

© Sabrina Fusco / ALETEIA

As férias de um sacerdote são como as férias de uma mãe: entenda por quê

Sabemos que os padres são padres durante a vida inteira, o ano inteiro, o tempo todo, nas 24 horas do dia, pois nunca se esquecem de que a prioridade da vida sacerdotal é a dedicação plena a Deus e ao seu reino; portanto, é uma dedicação permanente. Neste sentido, o sacerdote não tem férias ou descanso.
 
No entanto, o Código de Direito Canônico diz que os padres devem ter anualmente um devido e suficiente tempo de férias (cânon 283, 2). Isso responde às determinações do Concílio Vaticano II (“Presbyterorum Ordinis”, 20).
 
Cabe recordar eu grande parte dos serviços ministeriais não podem ser interrompidos pelas férias dos padres, e o Código de Direito Canônico prevê a devida e necessária suplência.
 
É uma necessidade e um dever de justiça que o Papa, os bispos, os sacerdotes e diáconos, como qualquer outra pessoa, tenham direito a um devido e suficiente tempo de férias, um tempo para respirar outros ares, para depois voltar às suas ocupações e atender, entre outras obrigações, o escritório paroquial cheio de gente necessitada em qualquer aspecto da vida.
 
Este direito é inviolável, indiferentemente da crise de vocações que a Igreja mais ou menos vive em uma ou outra realidade do mundo.
 
Os sacerdotes têm direito a esse tempo, pois eles trabalham ou estão disponíveis para o serviço pastoral praticamente todos os dias do ano.
 
Quanto tempo devem durar as férias?
 
O Direito Canônico (cânon 533, 2) dá ao sacerdote o direito de ausentar-se da paróquia pelo período de um mês, em regime de férias, salvo que obste uma causa grave.
 
Ainda que os padres possam tirar 30 dias de férias, é muito difícil que o façam de maneira completa ou ininterrupta; alguns não têm esse tempo e outros não querem fazê-lo. Então, cada um decidirá o tempo que mais lhe convém, dependendo das circunstâncias e necessidades de cada um.
 
Muitos padres moram em outros países e chegam a ficar anos longe de suas famílias. Alguns utilizam o tempo de férias para realizar algum tratamento médico, outros para solucionar assuntos pessoais, outros para formação, para fazer alguma peregrinação especial etc.
 
Este tempo de férias é curto quando comparado aos dias de folga dos leigos, que têm, além de suas férias, dois dias livres por semana, sem contar os dias festivos de caráter religioso – quando os padres mais trabalham.
 
Férias de mãe
 
No entanto, quando um padre está de férias, ele não deixa de exercer seu ministério no lugar onde se encontrar; suas férias são apenas uma ausência temporal da sua respectiva paróquia.
 
Um sacerdote pode tirar férias de sua função de pároco, mas jamais tira férias da sua vocação de padre. Ser pároco é uma função específica, mas ser padre é uma vocação; não se pode deixar de ser sacerdote.
 
É óbvio que isso não exclui que o sacerdote possa ter momento de relax, de exercício físico, passeios etc. Mas suas férias são como “férias de mãe”: uma mãe pode ir a qualquer lugar, mas continua igualmente sendo mãe e velando sempre pelos seus filhos, em todo sentido da palavra.
 
Mais ainda: há padres que dedicam suas férias a substituir outros padres, em espírito de caridade fraterna.
 
Outra coisa a ser levada em consideração é que o sacerdote, durante este período de férias, não se desentende totalmente da sua realidade pastoral, pois, além de deixar tudo organizado e previsto, continua em contato com os que o substituem em com os demais agentes pastorais da paróquia.
 
Os paroquianos precisam ser compreensivos se a intensidade da vida paroquial diminuir devido à ausência temporal do pároco.
 
O tempo de férias precisa ser vivido com coerência. Não é um período para secularizar-se, nem um tempo para deixar de estar vigilantes, porque o demônio não descansa nunca.
 
O que o sacerdote – como qualquer outra pessoa – precisa fazer para ter autênticas férias, é apoiar-se em Jesus Cristo.

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