São Cristóvão era um “lobisomem”?

Por que, originalmente, esse popularíssimo santo era representado com cabeça de lobo ou de cachorro?

São Cristóvão, conhecido popularmente como o santo padroeiro dos viajantes, costuma ser representado com o Menino Jesus sobre seus ombros, prestando-Lhe ajuda para cruzar um rio.

Mas nem sempre foi assim…

Nos primeiros ícones, ele era representado com a cabeça de um cachorro!

E de onde vêm essas duas representações tão diferentes?

O mito dos homens com cabeça de cachorro existiu em muitas culturas antigas – e continua presente no imaginário folclórico de hoje em dia mediante uma figura adaptada: a do lobisomem.

Grosso modo, essas representações mitológicas procuravam dizer que, ao se desviarem ou serem desviados da sua primordial natureza humana, os homens passavam a se comportar como animais irracionais. Transformar-se em homem-cão ou em homem-lobo era sempre uma espécie de maldição, um sofrimento. Em praticamente todas as culturas, o conceito de pecado sempre esteve associado aos impulsos mais primários ou animalescos, enquanto a virtude e a superação do pecado era vista (e continua sendo) como o elevado ideal a que todo ser humano é chamado pela própria natureza espiritual. Essas metáforas e suas representações visuais também foram incorporadas pela cultura popular cristã na sua vasta iconografia.

E vem dessas tradições populares, em especial do Oriente e em particular do Egito, a representação original de São Cristóvão como um homem com cabeça de cachorro, que, depois de conhecer a Cristo, teve a sua humanidade restaurada. Trata-se, portanto, de uma imagem voltada a simbolizar que ele deixou para trás uma vida de entrega aos instintos animalescos para passar a viver segundo os valores elevados do Evangelho.

A partir do século XII, porém, foi preponderando a sua representação, Europa afora, como um homem de robustez extraordinária que ajuda o Menino Jesus a atravessar um rio. Essa tradição deriva do seu próprio nome em grego: “Christóphoros” (formado pelas palavras “Christòs”, Cristo, e “phoros”, portador, aquele que leva); ou seja, “aquele que leva Cristo”.

Public Domain

Para saber mais sobre a formação desta lenda ligada ao seu nome, confira esse outro texto muito interessante:

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Aleteia: vida plena com valor

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