Solidariedade: Portuguesa vai escalar ponto mais alto da Antártida para ajudar crianças pobres no Bangladesh

Lisboa, 03 jan 2018 (Ecclesia) – A portuguesa Maria da Conceição vai percorrer mais de 100 quilómetros de esqui e escalar o ponto mais alto da Antártida, numa jornada que tem como objetivo angariar fundos para ajudar crianças e jovens mais desfavorecidos no Bangladesh.

Em entrevista concedida hoje à Agência ECCLESIA, com recurso a email, a filantropa lusa destaca “um longo desafio”, feito sem “proteção real dos elementos”, mas que tem por base a maior das causas: ajudar aqueles que “não têm nada”.

Tudo começou há cerca de 12 anos, em 2005, quando Maria da Conceição trabalhava como hospedeira de bordo para uma companhia aérea internacional.

Numa escala em Daca, no Bangladesh, ela ficou impressionada com o nível de pobreza em que as pessoas viviam, sobretudo as crianças, obrigadas a trabalhar desde tenra idade.

“ A maioria das crianças trabalhava em fábricas de vestuário ou cafés e nunca tinha frequentado a escola. Eu fiz um compromisso, uma promessa, de que eu lhes daria uma educação”, realça Maria da Conceição, que para concretizar o seu objetivo criou a Fundação Maria Cristina.

Uma instituição que presta atualmente apoio aos mais novos, sobretudo ao nível da educação, financiando os estudos de modo a que crianças e jovens possam ter um futuro mais risonho e ajudem também as suas famílias a quebrar o ciclo de pobreza.

“Quando encontrei estas famílias a viver no bairro da lata em Daca, no Bangladesh (ou será que foram elas que me encontraram?), tudo o que vi foi potencial nessas crianças brilhantes. Agora temos 127 jovens para terminar a sua educação, mas ajudámos 600 no total ao longo dos últimos 12 anos”, adianta a mesma responsável.

A par do apoio educativo, a Fundação Maria Cristina ajuda a garantir também o “transporte escolar e refeições, bem como apoio familiar ocasional para os casos realmente desesperados”.

Para alavancar todo este trabalho, Maria da Conceição, de 39 anos, deixou o seu emprego de hospedeira e começou a participar em competições desportivas para promover o trabalho da Fundação e angariar fundos para os seus diversos projetos.

Alguém que não fazia desporto regularmente, que não tinha hábitos de treino, conta agora no currículo com 6 triatlos Ironman em 6 continentes diferentes, e 7 recordes mundiais do Guiness; já escalou ao cimo do Monte Evereste e prepara-se agora para conquistar o ponto mais alto da Antártida, o Monte Vinson, que conta com quase cinco mil metros de altitude.

Um objetivo que Maria da Conceição espera atingir entre 16 e 19 de janeiro, integrada numa expedição à Antártida.

A preparação para esta etapa exigiu treinos diários de resistência e força, já que até chegar ao local do início da escalada vai ter de puxar um trenó com cerca de 30 – 50 quilos de peso, e a subida do Vinson será feita com uma mochila de 20 quilos.

“Quando eu comecei este projeto, queria transformar a vida dessas famílias, mas na realidade a vida que provavelmente mudou mais foi a minha”, realça Maria da Conceição, que além destas provas tem participado ao longo dos anos em vários “eventos corporativos, conferências, convenções”, entre outras iniciativas.

Quanto aos frutos deste trabalho, a criadora da Fundação Maria Cristina vê-os por exemplo nos jovens apoiados que “estão a ser aceites em bons empregos e estágios, algo que teria sido um sonho impossível para eles sem a ajuda da Fundação”.

“Também temos vários estudantes com bolsas universitárias completas em diversos países por todo o mundo. Tal faz-nos sentir muito orgulhosos e o facto é que, agora, estes jovens serão capazes de apoiar as suas famílias e mais tarde enviar os seus próprios filhos para a escola. Consideramos isso um grande sucesso, pois está a ser cortado o ciclo de pobreza!”, reforça aquela responsável.

A Fundação Maria Cristina ganhou o seu nome de outra história de vida desta antiga hospedeira, natural da vila de Avanca, em Aveiro.

Aos 2 anos de idade, ela foi adotada por uma senhora angolana a viver em Portugal, precisamente de nome Maria Cristina, que na altura tinha já 6 filhos.

Maria da Conceição recorda uma frase que a mãe adotiva lhe disse e que serve também de lema para o seu trabalho: “Quem alimenta 6, alimenta 7”.

“Ela não me ajudou apenas a mim, mas também ajudou muitas outras pessoas na vila de Avanca. Eu acho que, de alguma forma, um pouco do ADN de Maria Cristina entrou furtivamente no meu!”, conta esta filantropa portuguesa, que agradece o “grande apoio” que os portugueses têm prestado às famílias mais pobres do Bangladesh, através da Fundação.

“No geral, os portugueses são pessoas muito humanitárias. O apoio internacional também tem sido bom ao longo dos anos, embora varie bastante. É uma verdadeira luta obter os fundos que precisamos. Então eu tenho agora de fazer este novo desafio para obter publicidade e dizer às pessoas que ainda estamos aqui, ainda dedicados e a trabalhar arduamente, e ainda precisamos da sua ajuda”, realça Maria da Conceição.

Mais informações sobre este projeto solidário estão disponíveis no site da Fundação Maria Cristina, em http://mariacristinafoundation.org/pt/.

JCP  

Agencia Ecclesia

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