Venezuela: Cardeal Urosa sequestrado durante várias horas por “coletivos” de Maduro

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(archivo) AFP PHOTO / MIGUEL GUTIERREZ

Arcebispo de Caracas foi retido em igreja pelos partidários de Maduro, que assassinaram uma mulher

Os coletivos agiram de maneira violenta contra um grupo de cidadãos inofensivos fora da paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Catia, e depois nos mantiveram praticamente sequestrados dentro da igreja”, declarou o cardeal Jorge Urosa Savino na tarde deste domingo, 16 de julho, ao narrar ao departamento de comunicação da arquidiocese de Caracas a preocupante experiência que tinha acabado de viver.

O arcebispo de Caracas tinha celebrado a missa da festividade de Nossa Senhora do Carmo e, após o ofício religioso, aproximadamente ao meio-dia e meia, foi impedido de deixar a igreja, sequestrado junto com mais de quatrocentas pessoas pelos violentos coletivos vinculados ao governo de Nicolás Maduro.

A 100 metros da Igreja havia um grupo de pessoas do oficialismo que foram se aproximando pouco a pouco e de forma perigosa”, contou o cardeal. “Quando terminou a missa, chegaram uns coletivos e deram tiros, deixando vários feridos, e mantiveram as pessoas dentro da igreja, submetidas a assédio”.

Urosa deixou claro que “a igreja de Nossa Senhora do Carmo não teve nada a ver com o ponto eleitoral situado ali perto”, em referência aos locais de votação do plebiscito informal que foi organizado neste domingo pela oposição. O plebiscito tratou de três questões relacionadas com os planos de Maduro de perpetuar-se no poder, o que inclui a Assembleia Nacional Constituinte convocada por ele para o próximo dia 30 de julho.

O coletivo responsável pelo sequestro tentava sabotar o ponto de votação do plebiscito e tinha atacado o local com disparos de armas de fogo e bombas de gás lacrimogêneo. Muitas das pessoas agredidas se refugiaram na igreja do Carmo. O ataque matou a enfermeira Xiomara Escot, de 61 anos, e deixou três pessoas gravemente feridas.

Por volta das 15h30, funcionários da Polícia Nacional Bolivariana começaram a agir como mediadores junto aos coletivos violentos que mantinham presos na paróquia os fiéis católicos, o cardeal e as pessoas que tinham procurado abrigo ali dentro. Em meio à situação crítica, Urosa enfatizou:

É importantíssimo resolver esta situação porque isto é gravíssimo. É um atropelo contra cidadãos indefesos dentro de uma igreja. É gravíssimo”.

O sequestro da maior autoridade religiosa de Caracas e do numeroso grupo de pessoas dentro da igreja terminou aproximadamente às 16h30.

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