Ano C – 28º domingo do tempo comum

Agradecer a fé que nos salva em Cristo

Neste vigésimo oitavo domingo do tempo comum, o evangelista Lucas tem como objetivo fundamental apresentar Jesus como o Deus que Se torna pessoa para trazer, com gestos concretos, uma proposta de vida nova e de libertação para todos, particularmente os oprimidos e marginalizados. O episódio dos dez leprosos, exclusivo de Lucas, insere-se nesta perspetiva.

O número dez tem o significado simbólico da totalidade. O judaísmo considerava necessário que pelo menos dez homens estivessem presentes, a fim de que a oração comunitária pudesse ter lugar, porque o dez representava a totalidade da comunidade.

A presença de um samaritano no grupo indica que essa salvação oferecida por Deus em Jesus não se destina apenas à comunidade do povo eleito, mas a todas as pessoas sem exceção, mesmo àquelas que o judaísmo oficial considerava definitivamente afastadas da salvação.

Mas o destaque do episódio de hoje está no facto de só um dez leprosos curados ter voltado atrás para agradecer a Jesus e no facto de este ser um samaritano. Lucas está interessado em mostrar que quem recebe a salvação deve reconhecer o dom de Deus e estar agradecido. E avisa que, com frequência, os que estão mais atentos aos dons de Deus são os hereges, os marginais, os desprezados, aqueles que a teologia oficial considera à margem da salvação.

Há aqui, certamente, uma alusão à autossuficiência dos judeus que, por se sentirem povo eleito, achavam natural que Deus os cumulasse dos seus dons; no entanto, não reconheceram a proposta de salvação que Deus lhes estava a oferecer através de Jesus. Há também um apelo aos discípulos de Jesus, a todos nós hoje, para que não ignoremos o dom de Deus e saibamos responder-Lhe com gratidão e fé, entendida como adesão a Jesus e à sua proposta de salvação.

Curiosamente, os dez leprosos não são curados imediatamente por Jesus, mas a lepra desaparece no caminho, quando iam mostrar-se aos sacerdotes. «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou», são as palavras finais do Evangelho. Isto sugere que a ação libertadora de Jesus não é uma ação mágica, caída repentinamente do céu, mas um processo progressivo de caminhada cristã, no qual o crente vai descobrindo e interiorizando os valores de Jesus, até chegar à adesão plena às suas propostas e à efetiva transformação do coração. A nossa cura não é um momento mágico que acontece quando somos batizados, ou fazemos a primeira comunhão ou nos crismamos; mas é uma caminhada progressiva, durante a qual descobrimos Cristo e nascemos para a vida nova.

Acolhamos no coração este apelo essencial da Palavra de Deus a nos dizer que a fé que nos salva deve ser agradecida e praticada nos caminhos de encontro de Cristo nas nossas vidas.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

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Por: www.agencia.ecclesia.pt

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